Rússia pode aprovar vacina contra COVID-19 em duas semanas

Rússia pode aprovar vacina contra COVID-19 em duas semanas

É possível que a corrida por uma vacina contra o novo coronavírus (SARS-CoV-2) tenha o primeiro lugar já definido. Isso porque a Rússia espera aprovar, de forma condicional, a primeira vacina contra a COVID-19 do mundo em menos de duas semanas, ou seja, no começo do mês de agosto. Entretanto, pesquisadores ainda aguardam a publicação de artigos científicos detalhando as fases de desenvolvimento do imunizante.

As autoridades russas esperam que até o dia 10 de agosto (ou mesmo antes) ocorra a aprovação da vacina contra a COVID-19, de forma condicional. O que significa que mesmo com essa liberação em caráter emergencial por conta da pandemia, mais um estudo clínico da vacina será realizado com 1,6 mil pessoas.

Desenvolvida pelo centro de pesquisa Gamaleya, com sede em Moscou, o imunizante deve ser primeiro liberado para os profissionais de saúde que estão combatendo o novo coronavírus. Já que o lançamento da produção industrial da vacina, conforme esperado, está previsto para setembro de 2020.

Rússia deve ser o primeiro país a concluir vacina contra a COVID-19, segundo autoridades locais (Imagem: reprodução/ Pixabay)

“É um momento do Sputnik”, comenta Kirill Dmitriev, diretor do fundo soberano da Rússia, que financia a pesquisa russa de vacinas. A fala é uma comparação entre o pioneirismo na vacina contra a COVID-19 com o lançamento, que foi bem-sucedido em 1957, do primeiro satélite do mundo pela União Soviética (URSS). Na época, o mundo enfrentava a Guerra Fria que dividia o mundo entre o país e os Estados Unidos.

Testes em quem?

Entre os testes para a liberação de uma vacina, a pesquisa começa in vitro, dentro do laboratório, posteriormente é testes em animais, depois em um pequeno grupo humano e, por fim, em grandes grupos humanos, na ordem dos milhares. 

Segundo o Ministério da Defesa da Rússia, foram os próprios soldados russos que serviram como voluntários nas etapas de testes em humanos para o desenvolvimento do imunizante. Além disso, Alexander Ginsburg, diretor do projeto, disse que se auto-aplicou a vacina também.

Conforme anunciado, vacina traz em sua fórmula um adenovírus humano enfraquecido com a proteína S do novo coronavírus, ou seja, esse vírus não consegue mais se replicar no organismo, mas deve desenvolver anticorpos para a COVID-19. Já se sabe também que a vacina russa demanda duas doses para a imunização contra essa infecção.

Polêmicas

A promissora vacina russa ainda não teve seus dados científicos sobre as fases de testes divulgados, o que impede, até o momento, de outros pesquisadores validarem sua segurança, eficácia e comprometimento com todo o processo. Nesse contexto, existem especulações de que os testes em humanos da vacina estariam incompletos.

No entanto, os pesquisadores russos explicam que a vacina teve uma rápido desenvolvimento, porque se trata de uma versão modificada de outro imunizante já criado para combater outras doenças virais. A mesma abordagem é adotada por outros países e empresas, mas não nessa velocidade. 

Além disso, por conta da demanda emergencial por uma vacina, os pesquisadores russos planejam realizar a terceira fase dos testes com 1,6 mil pessoas, em paralelo com a vacinação dos profissionais da saúde, por causa da possível liberação condicional de uso da fórmula.

Quanto as dúvidas sobre a autenticidade dos estudos, as autoridades da Rússia também alegam que estão compilando os dados científicos da vacina e que eles serão disponibilizados para revisão e publicação por pares no início de agosto.

Distribuição da vacina

Além da vacina desenvolvida pelo Centro Nacional de Pesquisa Gamaleya de Epidemiologia e Microbiologia do Ministério da Saúde da Rússia, em conjunto com o Instituto Central de Pesquisa do Ministério da Defesa da Rússia, há uma outra potencial fórmula em testes.

Segundo a vice-primeira ministra, Tatyana Golikova, outra vacina é desenvolvida pelo Centro Estadual de Pesquisas em Virologia e Biotecnologia da Vektor, do Serviço Federal de Vigilância da Proteção dos Direitos do Consumidor e do Bem-Estar Humano. “Os ensaios clínicos integrados começaram. Sua conclusão está planejada para setembro, a certificação estadual também está planejada para setembro. Além disso, o primeiro lote está planejado para ser produzido em outubro de 2020”, completa.

De acordo com a plataforma Worldometer, hoje, a Rússia ocupa o quarto lugar no ranking de casos do novo coronavírus. São 838 mil casos da COVID-19 confirmados, sendo 13,6 mil mortes. Por outro lado, 620 mil pessoas já se recuperaram da infecção, segundo dados da mesma plataforma.

Fonte: CanalTech

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